Correntes do Brasil Equatorial e o deslocamento da plataforma continental nordestina
Entre o Cabo de São Roque e o arquipélago de Fernando de Noronha, a interação entre a Corrente do Brasil e os ventos alísios gera um campo de cisalhamento que reorganiza sedimentos finos ao longo de milhares de quilômetros. Este estudo editorial sintetiza observações de satélite, dados de deriva de superfície e modelos numéricos regionais para explicar por que trechos do litoral do Rio Grande do Norte e do Ceará apresentam taxas de recuo costeiro distintas, apesar de compartilharem a mesma macroestrutura oceânica.
A análise destaca três mecanismos: a deflexão da corrente principal em torno de bancos submarinos, a formação de vórtices de mesoescala durante eventos de ressaca prolongada e a modulação sazonal do transporte litorâneo de sedimentos. Para gestores municipais e equipes de monitoramento, compreender essa variabilidade é essencial ao planejar obras de proteção e ao interpretar séries históricas de erosão.